FIGAM · Koryū · Armas tradicionais japonesas
Responsabilidade técnica sobre as artes antigas japonesas
No âmbito da FIGAM, o Koryū Dōjō é a referência responsável pela avaliação, preservação e reconhecimento das artes marciais clássicas japonesas e de seus sistemas históricos de armas, estratégia e transmissão.
Atribuição institucional
O Koryū em seu sentido mais amplo.
No contexto da Federação Internacional de Gekiken e Artes Marciais – FIGAM, o Koryū Dōjō é a instituição responsável pelas artes antigas japonesas, especialmente aquelas vinculadas às armas tradicionais, aos sistemas históricos de combate e às formas de transmissão preservadas pelas antigas escolas japonesas.
Essa responsabilidade inclui atenção especial à katana e às artes da espada, mas não se limita a elas. Abrange o Koryū Bujutsu em sua dimensão mais ampla, incluindo armas, combate corporal, Hyōhō, história militar, linhagens, documentação, etiqueta e terminologia.

Koryū não é apenas espada. É um sistema histórico de transmissão que pode reunir armas, estratégia, combate corporal, documentos, etiqueta e memória institucional.
Disciplinas abrangidas
Muito além da katana.
Artes da espada
Kenjutsu, Battōjutsu, Iaijutsu, Kodachijutsu, Tantōjutsu e métodos correlatos.
Arco e flecha
Kyūjutsu e o uso tradicional do yumi em seus contextos históricos e técnicos.
Lança
Sōjutsu e métodos de combate com yari.
Naginata
Naginatajutsu e sistemas de armas de haste.
Bastões
Bōjutsu, Jōjutsu e métodos auxiliares de armas longas e médias.
Hyōhō e história
Estratégia, distância, ritmo, terreno, intenção, linhagem, documentação e contexto histórico.
Avaliação e reconhecimento
Aprovação técnica obrigatória.
Todo membro, escola ou grupo ligado à FIGAM que se apresente como detentor, representante ou transmissor de artes marciais japonesas antigas, ou de sistemas modernos delas derivados, deverá passar por avaliação técnica compatível com a natureza da prática reivindicada.
As práticas identificadas como Koryū, ryūha tradicionais, Kobujutsu, Gendai Bujutsu ou artes japonesas antigas e modernas derivadas de sistemas tradicionais, desde que não pertençam ao campo específico do Okinawa Kobudō, permanecerão sob o crivo e a aprovação do Presidente-Diretor de Koryū e Kenjutsu da FIGAM, Jason Vieira Sensei.
Esse campo compreende, entre outras disciplinas, Kenjutsu, Iaijutsu, Battōjutsu, Kyūjutsu, Sōjutsu, Naginatajutsu, Bōjutsu, Jōjutsu, Jūjutsu, Kogusoku, Kumiuchi, Hyōhō e demais sistemas relacionados às armas, à estratégia, ao combate corporal e à transmissão histórica das escolas japonesas.
Também estarão submetidas ao mesmo crivo de linhagem e coerência histórica as escolas contemporâneas que adotem a denominação jutsu 術 para definir sua natureza técnica ou marcial. O fato de uma escola declarar origem recente não elimina a necessidade de demonstrar de onde procedem seus métodos.
Uma escola moderna poderá organizar currículo próprio, adaptar métodos de ensino e assumir identidade institucional nova. Contudo, ao se apresentar como Kenjutsu, Iaijutsu, Battōjutsu, Jūjutsu, Sōjutsu, Naginatajutsu, Bōjutsu, Kobujutsu ou outra forma de jutsu, deverá comprovar uma base técnica anterior, uma escola de origem, um sistema formador ou uma cadeia verificável de conhecimentos derivada das artes antigas.
A origem declarada poderá estar vinculada a uma tradição de Koryū ou ryūha historicamente identificável, a um sistema de Kobujutsu, a mestres reconhecidos em artes antigas, a uma combinação documentada de escolas anteriores ou a uma transmissão técnica verificável que tenha sido posteriormente reorganizada.
Não será suficiente fundamentar a criação em estudos independentes, pesquisa bibliográfica, vídeos, experiências esportivas, práticas cênicas ou interpretações pessoais de movimentos com armas. A criação contemporânea não será considerada automaticamente ilegítima, mas deverá apresentar-se como moderna, identificar suas fontes e demonstrar a continuidade técnica que sustenta o uso da expressão jutsu.
Já as práticas apresentadas sob a denominação de Kobudō, especialmente aquelas vinculadas às tradições armadas de Okinawa e Ryūkyū, como bō, sai, tonfa, kama, nunchaku, eku e armas correlatas, serão submetidas ao crivo de uma bancada de mestres designada pela FIGAM, formada por profissionais com experiência reconhecida nas respectivas disciplinas.
A avaliação colegiada do Kobudō tem como finalidade respeitar a especificidade histórica, técnica e cultural das tradições de Okinawa, evitando que sejam tratadas como simples extensões das ryūha clássicas do Japão continental.
Esse sistema de avaliação não busca restringir a diversidade das práticas. Sua finalidade é garantir que denominações como Koryū, Kobujutsu, Kobudō, Gendai Bujutsu, Kenjutsu, Iaijutsu, Battōjutsu, Kyūjutsu, Sōjutsu, Naginatajutsu, Bōjutsu, Jūjutsu e Hyōhō sejam utilizadas com fundamento histórico, coerência técnica, transparência institucional e vínculo verificável de formação, derivação ou transmissão.
Uma escola moderna pode criar uma nova organização. Não pode criar retrospectivamente uma linhagem que nunca existiu.
| Critério | O que poderá ser analisado |
|---|---|
| Linhagem | Origem da escola, professores, ramos e continuidade de transmissão. |
| Formação | Histórico técnico dos responsáveis e autoridade para ensinar. |
| Currículo | Técnicas, armas, kata, documentos e estrutura interna. |
| Derivação técnica | Nas escolas de Gendai Bujutsu, identificação das artes antigas, mestres e sistemas que fundamentaram a criação moderna. |
| Transparência institucional | Distinção clara entre tradição histórica, criação contemporânea, arte performática e representação temática. |
| Coerência histórica | Compatibilidade entre o que é reivindicado e o que é efetivamente praticado. |
| Terminologia | Uso responsável de nomes, títulos, graduações e expressões japonesas. |
| Segurança e preservação | Forma de ensino, conservação e utilização de armas tradicionais. |
Classificação institucional
Cada prática deve ser reconhecida por aquilo que realmente é.
Sem a aprovação técnica correspondente, o grupo não será reconhecido pela FIGAM como representante de uma arte marcial clássica japonesa, de um Kobujutsu ou de um Gendai Bujutsu com derivação técnica comprovada.
Atividades predominantemente visuais, recreativas ou temáticas poderão ser classificadas como cosplay ou representação cultural. Artes performáticas estruturadas, como TATE e sistemas contemporâneos de combate cênico, receberão classificação própria e não serão confundidas com cosplay.
Artes performáticas japonesas
TATE, cinema, palco e expressão com espada.
As artes performáticas japonesas devem ser tratadas de forma distinta do cosplay, da simulação informal e das práticas que reivindicam indevidamente uma linhagem marcial.
Há plena legitimidade em sistemas criados especificamente para o palco, o cinema, a televisão, apresentações culturais e produções documentais, desde que se apresentem com transparência quanto à sua natureza artística e não reivindiquem ser Koryū, Kobujutsu ou tradição antiga quando não o são.
Um dos principais exemplos é o TATE 殺陣, arte japonesa de combate cênico coreografado. O TATE trabalha ritmo, distância, intenção dramática, reação, composição visual, respiração e segurança entre intérpretes. Seu objetivo não é reproduzir integralmente um combate real, mas construir uma ação convincente, clara e dramaticamente compreensível para o público.
O fato de ser uma arte cênica não a torna inferior a uma arte marcial. Significa apenas que possui finalidade diferente, método próprio e critérios específicos de excelência.
Sukedachi-ya Ohako
Tadanobu Nouchi Sensei e o TATE
O trabalho de Tadanobu Nouchi Sensei e da Sukedachi-ya Ohako representa uma prática especializada de combate com espada para apresentações ao vivo. A proposta valoriza coreografia refinada, tensão, respiração, pausas, expressão sem palavras e integração entre palco e público.
Trata-se de um campo profissional próprio, útil para espetáculos, oficinas, cinema, televisão e documentários, sem a necessidade de reivindicar uma identidade de Koryū.
Conheça a Sukedachi-ya OhakoKengidō 剱伎道
Tetsuro Shimaguchi e a fusão entre espada e expressão
O Kengidō foi fundado por Tetsuro Shimaguchi em 2012 como um método contemporâneo que combina a espada, Ken 剱, a arte performática, Gi 伎, e o caminho, Dō 道.
Sua proposta reúne formalidade, cortesia, distância, tempo, expressão artística e formação pessoal. O grupo KAMUI desenvolve essa linguagem em produções no Japão e no exterior, reconhecendo abertamente sua natureza contemporânea.
Conheça o KengidōPráticas como TATE, Nouchi-ryū de TATE e Kengidō possuem especial validade quando mantêm acurácia corporal, protocolos de segurança, respeito às armas, conhecimento histórico e reverência explícita às escolas tradicionais que serviram como referência.
Elas podem preparar atores e performers, criar coreografias seguras, contribuir para filmes e documentários, preservar gestos e referências visuais japonesas e aproximar o público das artes tradicionais. Sua seriedade está justamente em não se venderem como tradições antigas e em declararem com clareza sua criação e finalidade contemporâneas.
Por que esse crivo existe
Proteger o público e as tradições.
Proteção do público
Evita que apresentações temáticas sejam confundidas com ensino marcial legítimo.
Proteção das escolas
Resguarda tradições sérias contra apropriações, títulos inventados e falsas genealogias.
Proteção técnica
Reduz riscos decorrentes do uso inadequado de espadas, arcos, lanças e outras armas.
Proteção histórica
Impede que fantasia, cinema e estética sejam apresentados como documentação ou transmissão.
O Koryū Dōjō não se apresenta como proprietário das artes antigas, mas como referência institucional responsável por critérios mínimos de autenticidade, segurança, coerência e respeito à transmissão.
Exemplos de representação temática
Cosplay e encenação cultural.
As imagens abaixo ilustram representações visuais ou temáticas classificadas como cosplay. Essa categoria não deve ser confundida com TATE ou com sistemas profissionais de arte performática, que possuem método, treinamento e protocolos próprios.





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